O DESPERTADOR



O despertador
Num “pam, ram, pam!”
Das horas de acordar
E das manhãs


Sol tá na janela
Tem remela no teu rosto
Vai lavar!


Sou toda ternura
Mas não posso no apertar das horas
Va-ci-lar!


O despertador
Diz “anda logo!
Que o tempo não dá colo e quer partir!”


Toma
Teu café
Mas te arrebata
Esconjura de ficar


Sai do entressonho
Estremunhado, acabrunhado
Muda a catadura
Que outra lua deu lugar


Larga a tua queixa
Deixa à parte
Se esta arte não tem fim


“O dia cobra tributos e atributos
Domina o verbo do corpo e do tempo
Tem ciúmes
Maldiz a vertigem da boemia, da poesia, do olhar prosaico
Dos mistérios, incógnitas
Das danças circulares
Das tramas ancestrais


E quando escapa à vigília
A melodia ordinária
Um detalhe de quem passa
A camaradagem providencial
O dia recupera o foco sem perder a compostura
Mas ruboriza...
E às vezes,
Até sorri”


Forças e afagos
Prazos brutos, desencargos
Regra e entropismo
Que nos deixe respirar


Chega
Eu vou me embora
Não demora
Dá um beijo
Até mais


Sou toda ternura
Mas não posso no apertar das horas
Va-ci-lar!